Pessach, o livramento da morte

“Nós lhes anunciamos as boas novas: o que Deus prometeu a nossos antepassados ele cumpriu para nós, seus filhos, ressuscitando Jesus, como está escrito no Salmo segundo: ‘Tu és meu filho; eu hoje te gerei’ […]” (Atos 13:32–33)

O autor de Atos dos Apóstolos, atribuídos a Lucas, o Evangelista, afirma que o Messias é aquele em quem todas as promessas pactuais de Deus encontram cumprimento. A Páscoa, “Pessach” em hebraico, ocupa um lugar central nas Escrituras. No Antigo Testamento, ensina a libertação do povo de Israel do terrível cativeiro do Egito. No Novo, refere-se ao fundamento da fé cristã, a morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Deus tirou o seu povo da escravidão com mão forte e poderosa através do sangue do cordeiro. Nos livrou da sentença do pecado pelo sangue do seu Filho. A Festa da Libertação cumpriu-se em Cristo. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ao morrer na cruz, tirou do altar os animais mortos. Sendo o Sumo-sacerdote perfeito, ofereceu-se a si mesmo como o sacrifício perfeito. Sendo inocente, pelos pecadores sofreu pena de morte e justificou os que nEle crêem.

Absurdo para um mundo contraditório e em busca de razão para a fé interpretada por meros homens. Especulação, dando ouvido às próprias idéias e dependente de ídolos. Em que o deus do povo se tornou a própria mente. Por que nos sacrificar em prol do outro se não fará diferença? Experimente suprimir o sentido da Páscoa e concordará com Freud, Marx e Nietzsche, os “mestres da suspeita”.

Freud afirmara que Deus é uma ilusão infantil. Marx defendia veementemente a tese de que a fé era um empecilho ao progresso da humanidade. Nietzsche, por sua vez, com seu famoso dístico “Deus está morto” acreditava que o cristianismo só gerara conformismo e mediocridade. A Bíblia dissolve “avant la lettre” a denúncia de um deus produzido ou projetado pelos nossos anseios e desejos e tem poder de realizar a reconciliação do homem com sua verdadeira identidade.

Não se trata de uma divindade distante e indiferente ao sofrimento humano, mas de um Deus que se revela na história. Como homem, nasceu, cresceu e morreu. Como Salvador do mundo, ressuscitou. É o próprio Eterno, o modelo absoluto de bondade, misericórdia e amor. Em sentido teológico, Jesus é o Filho da Trindade, com o Pai e o Espírito Santo.

Na dúvida, encontrei a fé. Mesmo para o pior dos homens, vale a humildade do conhecimento. Não há nada de contraditório nisso. O único problema é começar acreditar demais em si mesmo.

“La última cena” de Juan de Juanes (1555–1562).

Baptist pastor, theologian, journalist and translator Italo-Brazilian. info@guilhermebalista.com

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